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2009/10/30

Os Lusíadas


As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Luís Vaz de Camões, in Os Lusíadas - I,1,2,3


O professor Bernardo de português pediu à nossa turma que decorasse as primeiras três estrofes de Os Lusíadas.

Os Lusíadas fala sobre a coragem dos portugueses nos descobrimentos.

Luís Vaz de Camões, o autor d'Os Lusíadas, também participou em algumas destas viagens de barco.

Este livro é muito difícil de ler, mas há adaptações mais fáceis de ler.




SM

2009/10/15

Um poema

O nosso professor de português, o professor Bernardo, propôs-nos um desafio; trata-se de decorarmos um poema por cada semana.

Esta semana o professor disse para decorarmos um poema composto por Fernando Pessoa, eu achei piada a este e decidi pô-lo no nosso blogue.

O poema é:

Ai que prazer
Não cumprir um dever
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é uma maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa alguma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Que venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, que peca
Só quando em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca.


Fernando Pessoa




CVCM